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Após duas rodadas na disputa do XXI Chuteira de Ouro, alguns times decepcionam; outros surpreendem; há ainda aqueles que buscam uma identidade

Conforme era previsto, com a saída do CAV, o equilíbrio passou a ser predominante na disputa do XXI Chuteira de Ouro. Até o momento, apenas duas rodadas se passaram, no entanto, a situação atual da tabela de classificação se mostra contrária aos prognósticos iniciais. Alguns times ainda não renderam o esperado. Outros estão surpreendendo e lutando pela afirmação. Há também aquelas equipes que buscam uma identidade para seguir adiante.
 
Vamos aos casos. No Grupo A, o Futsamba – um dos favoritos na competição – apresentou enorme oscilação dentro de suas partidas. O time foi capaz de jogar os primeiros minutos de maneira arrasadora, passando a sensação de que iria atropelar os adversários, mas depois teve queda brusca de rendimento. Na rodada de abertura, os sambistas chegaram a abrir 3 x 0 contra o Zenite, mas sofreram o empate ainda na etapa inicial. Logo no princípio do tempo complementar, o Sambão novamente abriu três gols de vantagem, entretanto, sofreu mais dois e por pouco não levou outro empate. Teria sido por acaso ou era este um ponto fraco do time?
 
A resposta veio na rodada seguinte, quando iniciou o duelo ante o MachuPichu mais uma vez de forma espetacular e abriu 2 x 0. Mas, novamente, o time simplesmente parou de jogar e sofreu a virada ainda no primeiro tempo, indo para o intervalo com o revés de 4 x 2. Na etapa derradeira, esteve apático em campo e foi facilmente anulado pelo rival. No final, vitória peruana por 5 x 3. Fica a pergunta: qual é o verdadeiro Futsamba, aquele do bom futebol nos minutos iniciais dos jogos ou a equipe que sofre constantes apagões e permite que seus adversários busquem o resultado?
 
Na mesma chave, o Real Paulista Classic, apesar do início surpreendente, ainda é cercado por desconfianças. Na estreia, os merengues fizeram boa partida e derrotaram o Primatas, atual vice-campeão, por 4 x 2. Na segunda rodada, mais uma atuação convincente e novo triunfo, desta vez 3 x 1 sobre o Camelo, resultado que colocou a equipe na liderança do grupo. Mas aonde pode chegar o Real? Até o momento, parece não ter sentido a perda de Cadu, artilheiro merengue na última temporada. Com a saída deste, um personagem se candidata a assumir o posto de goleador: Gui, ex-SPQSF, que já balançou as redes duas vezes – uma em cada partida – e, momentaneamente, é o artilheiro do time. Será que o Real conseguirá manter o fôlego ao longo da competição?
 

Assim como o Grupo A, o Grupo B também conta com equipes que buscam render o esperado, consolidando-se como candidatas ao título, e aquelas que perseguem o primeiro resultado positivo, após boas atuações acompanhadas de derrotas. Ao menos quatro times se encontram em uma destas situações. Começando pelo Roleta Russa Olímpico, atual líder da chave. Na rodada de abertura, eficiente e contando com as atuações para lá de inspiradas de Thomas e Phil, superou o Med Taubaté (7 x 4). Na jornada seguinte, a bela participação do goleiro Louiz e uma inesperada reação nos minutos finais garantiram novo triunfo, 4 x 2 diante do Vingadores. O início é mais do que animador. Além de liderarem a chave, os russos são donos do melhor ataque da competição, com 11 gols. Será que enfim é chegada a hora do Roleta, ou o bom começo é apenas “fogo de palha”? O quanto Luisinho, Tché e Cunha – os três reforços do time para a temporada – farão a diferença? Nas duas últimas edições, o time foi eliminado pelo Mulekes, primeiro nas semifinais, sendo goleado por 7 x 1, e depois nas quartas de final, perdendo por 3 x 1. Esse Roleta estaria pronto para derrotar o Mulekes?
 
Colado aos olímpicos na tabela de classificação aparece justamente o Mulekes, também com os mesmos 6 pontos e atrás apenas pelo saldo de gols. Apesar das duas vitórias conquistadas, a mulekada – sempre apontada como uma das favoritas – parece ainda desentrosada, sem apresentar o bom futebol de outros tempos. Isso pode ser resultado da chegada de diversos jogadores – Leco, Rafinha, Fabinho, Interior – ainda não entrosados ao estilo de jogo da equipe. Porém, fato é que o time sofre com o desequilíbrio. Afinal, balançou as redes adversárias 10 vezes, mas, ao mesmo tempo, sofreu 7 gols. Um diferencial histórico da mulekada – sofrer poucos gols – não se mantém até o momento. Ambos os triunfos da equipe vieram “na bacia das almas”. Na rodada de abertura, viu o Arouca Jrs. ser superior em grande parte do jogo, no entanto, foi mais eficiente e garantiu o resultado (4 x 3) nos minutos finais. Na jornada seguinte, novamente nos instantes finais, assegurou a vitória sobre o SPQSF (6 x 4). Irá o Mulekes reencontrar seu futebol envolvente que tanto encantou no passado?
 
Por falar no SPQSF, este é mais um que merece ser analisado. Recém-promovido à elite, enfrentou em suas primeiras partidas dois dos favoritos ao título: Nois Que Soma e Mulekes. Apesar das derrotas, 2 x 5 e 4 x 6 respectivamente, o time teve atuações surpreendentes, fez grandes partidas jogando defensivamente e explorando os contra-ataques, chegou a estar vencendo nas duas ocasiões, mas acabou não resistindo à força dos rivais e caindo na reta final. Gui Novaes e Di Dicredo, com 2 gols cada um, dividem a artilharia da equipe. No momento, o SPQSF é o lanterna da chave, e isso pode indicar preocupação. Entretanto, o que fica dessas duas derrotas é a certeza de um time que é competitivo e pode brigar mesmo por classificação. Teoricamente as duas pedreiras maiores já foram, resta ver como se portará o SPQSF frente a adversários que não têm a característica de dominar a posse de bola. Como jogará o SPQSF tendo de atacar ou encarando um adversário que joga como ele, fechado em seu campo?
 
Logo acima do SPQSF na classificação está o Vingadores, que, nas duas últimas edições, lutou contra o rebaixamento, terminando ambas as disputas na 8ª posição de seu grupo. A julgar pelas primeiras exibições, a equipe pode sim sonhar com ambições maiores desta vez. Embora os resultados não tenham vindo, o time vingador apresentou bom futebol e foi superior, tanto na derrota para o TáLigado (3 x 5), quanto no revés sofrido diante do Roleta Russa Olímpico (2 x 4). Qual a linha que divide o Vingadores da vitória para a derrota? Não há como não ver os muitos erros de finalização – os famosos gols perdidos – como o maior vilão. Contra o Roleta, o time criou muito e consagrou o goleiro adversário. um pouco mais de capricho e o resultado poderia ter sido bem diferente.
 
Apenas para reforçar a ideia da superioridade, o Vingadores teve o MVP nas duas partidas: Diogão, na primeira rodada, e R10 na segunda. De quanto tempo mais esse promissor Vingadores precisará para enfim mostrar do que é capaz além do papel? Caso não engrene rápido, a briga pode ser para não cair pela terceira vez seguida.
 
Ainda há muita bola para rolar. Com tempo e ajustes, as equipes encontrarão suas identidades, definirão seus rumos e então saberemos quem confirmará o favoritismo e quem irá surpreender. 
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