Se tem um grupo que pode ser chamado de grupo da morte, este é o Grupo A da 16ª edição da Prata. Fazia tempo que não se via tanto time de peso e pleiteante ao acesso junto num mesmo grupo. Isso quer dizer que muita gente vai sobrar nessa 1ª fase.
Para início de conversa, nele está o
Primatas, vice-campeão da Ouro no fim do ano passado, favorito na última Ouro e rebaixado com um ar de fatalidade de tão inexplicável. O elenco é o mesmo da queda, com a chegada de Kaká, ex-Mercenários, mudando a rigor apenas a comissão técnica. O técnico Gui Fenômeno tira um período sabático e assumem Ricardo e Chicão. A maior dúvida permanece sendo essa: em quantos jogos Marcelo Gama virá?
Esse Grupo A reúne os times mais coletivos que há na Prata. Os finalistas do X Festival Bola na Rede –
Só Quem Sabe e Império Celeste – são exemplos de conjuntos que falam mais alto. Os cachaceiros foram campeões e subiram à Prata tardiamente, com a desistência de times da Ouro. Isso não desmerece o acesso e nem o fato que o time reencontrou o jeito de jogar. Raça e vontade, já mostraram a história, podem sim ganhar jogo. E o lema de Mezadri e cia. é coração na ponta da chuteira, por mais clichê que possa ser. Além disso, o festival mostrou que goleiro não faltará – Alê está em grande fase – e Memé, tal qual os grandes vinhos, fica melhor a cada dia que passa. Seus 9 gols no festival colocam-no de novo nos holofotes e a tendência é que seus gols sejam cada vez mais importantes ao SQS.
O
Império Celeste voltou nas graças da torcida para a Série Prata. Deu a volta por cima, superou seu maior obstáculo – a cabeça – e cresceu. Fez o que ninguém até então tinha feito no último ano – vencer o Raça – e foi campeão. Como o citado SQS, eis um time cascudo, que não pede água, que marca forte e complica qualquer adversário. O referencial técnico continua sendo Guedes, autor ou assistente da maioria dos gols da equipe. Entretanto, uma sintonia entre defesa, meio e ataque é o diferencial para esta Prata. Ah, e Gamarra, o baixinho pega muito e passa uma segurança sem igual. Precisa é estar presente em todos os jogos.
O duelo entre
Bronx e
Real Madruga, já na 1ª rodada, coloca frente a frente dois times cujo ponto forte é a defesa. São duas equipes que devem brigar pra ver quem terá a melhor defesa do campeonato. São dois times sólidos, de elencos quase imutáveis, sempre bem. Não subiram semestre passado por pouco, mas apostam suas fichas numa boa campanha para chegar ou voltar pra lá. Outra similaridade: no comando do ataque, dois pivôs fazedores de gol. De um lado, Rafa Ornelas; do outro, Deko. Nomes a brigar pela artilharia certamente.
A incógnita fica por conta do
Raça. Como o time que em um ano e meio sofreu apenas duas derrotas comportar-se-á numa divisão com times de tradição, de pegada e de nível técnico nivelado? O elenco do Raça está preparado para a pedreira que vem pela frente? Como reagirão caso tenham duas derrotas seguidas, por exemplo? Não tem refresco nesse grupo. É pedreira atrás de pedreira.
De antemão, se tivesse de apontar candidatos a rebaixamento, estes estariam entre Abusados, Absolutos e Imperial. Entretanto, a gente sabe que alguma surpresa sempre virá – algum favorito ficará de fora e alguma boa surpresa abalará as apostas iniciais. Se o semestre passado for parâmetro, o
Imperial é muito candidato a cair. Acontece que o time mudou, recheou seu elenco para mais de 20 jogadores e de falta de jogadores não sofrerá mais. Augusto, o mito, assumiu o comando técnico e promete um Imperial aguerrido e valente – coisa que sempre foi e por isso se superou no semestre passado para não cair – com técnica e competitividade. Uma coisa parece ser clara: diante de tantos nomes a se entrosar e encontrar a melhor forma de jogar, o Imperial pode até cair, mas cairá atirando e derrubando outros contigo. Haverá tempo do time se encontrar antes de ser tarde demais?
Abusados e
Absolutos são daqueles que batem na trave. Os elencos são os mesmos em 95% do semestre passado. Ambos costumam largar mal e têm de se recuperar no meio do caminho. Na última edição, o Absolutos não conseguiu se classificar, o Abusados perdeu nas oitavas. Ambos são times cujos destaques andam sumidos. Miranda não foi o mesmo, mas Cesar e Lucas Anjos surgiram como bons coadjuvantes. Sem Gianzinho, espera-se mais de Rafinha Haddad, outrora grande nome desse meio de campo e que há tempos anda em baixa. Não chegou a hora de mostrar serviço?
Serviço é também o que todo amante do bom futebol espera de Bob. O Bobgol, artilheiro do
Abusados, marcou só 5 gols na edição passada (como efeito comparativo, na 14ª edição da Prata, ele fez 17 gols) e ficou devendo. Foi a primeira vez que ele não terminou como artilheiro do time – Julio Cesar teve 10 gols na ocasião. É preciso unir a esses 10 gols os bons números de Bob de antigamente, e ainda contar com melhor contribuição de Fê Lopes, Valente e Santana. Se a coisa não andar em conjunto ali, uma andorinha não fará verão e no fim pode colher o inverno.
O Grupo B tem times menos cascudos, que jogam e deixam jogar. Podemos considerar assim equipes como Roleta Clássico, The Veras, Invictus, Med Taubaté, É Verdadeee, Morada Choque e Camaro. Quem gosta de atrito e não foge de um choque é
Fúria e
Só Risada, que se pegam logo na estreia. São dois times que priorizam a defesa acima de tudo e esperam que seus talentos na frente resolvam. Pelo Risada, à dupla Gui Faria e Rafinha se juntou Cidrão (ex-Vingadores), dando uma potencialidade ofensiva de dar inveja a qualquer time da divisão. O Fúria tem nos irmãos Motta ainda seu pilar técnico, e se Papai do Axé perder um peso pode voltar a ser a referência no pivô.
Da Bronze chegaram
The Veras e
Invictus. Os grenás são o mesmo de sempre, raramente muda alguém. Assim, o que se espera deles é a mesma aplicação tática na defesa, bola no João Claudio e Petreche em tardes inspiradas de garçom. O quanto isso pode render na Prata só vendo pra crer. Já do Invictus, último a chegar à divisão, a rigor pouco se espera que não brigar para não cair. Como está no grupo mais tranquilo, as chances são boas. Resta ver se Moacyr e cia. superarão as saídas de Bahia e Ragazzo. Ao time ainda falta aquele goleador, homem de área, pra meter a bola pra dentro. Cada gol que o Invictus faz parece sempre um parto de tão difícil que é, ao mesmo tempo que sofre gols inacreditáveis.
Ao lado do Só Risada o
Morada Choque surge como favorito a subir na fase de grupos. O time de Lele tem justamente Lele como referência, mas, tal qual num time de basquete, a estrela precisa de bons coadjuvantes para fazer a engrenagem andar. Lele parece ter entendido isso e buscado peças que completem o time a ponto de torná-lo muito competitivo. Deu grande passo semestre passado (Guga, Lucas Barbosa e Ronald), mas o grande passo foi dado agora, repatriando Valceiro e trazendo o artilheiro da Série Aço passada, Rafinha, ambos ex-Valência.
É Verdadeee e
Camaro fazem parte daquela turma que pode cair como se classificar. Apesar que, nas últimas edições, ambos flertaram com o rebaixamento e sempre escaparam. Um dia a casa cai, já diz o ditado (e o filme). Será desta vez?
Da Ouro desceu o
Med Taubaté, que, se manteve Ricardinho, Lê Leme e Andreas, traz vários novos nomes e uma nova cara à equipe. Que cara é essa só saberemos na estreia, neste sábado. O goleiro Henrique não está mais no time, assim como Joãzinho, este transferido para o Divino, e o manager Jardel. O comando fora de quadra passou ao seu irmão, Vini Jardel.
Finalmente o vice-campeão da Série Bronze, o
Roleta Russa Clássico. Grata surpresa que deu certo, os clássicos chegam à Prata envoltos em mistério. Fontes apontam um embate entre direção e o técnico Vini, mantido no comando na beira do campo apesar dos atritos. A direção nega qualquer problema e reforça o apoio e cumplicidade junto à comissão técnica, "que vem trazendo ótimos frutos nos últimos anos", nas palavras do manager Fernando Sartori. Certo é que Vini foi eleito o melhor técnico da Bronze e terá, a sua disposição, o mesmo elenco vice-campeão do semestre passado, com o trio ofensivo formado por Douglas, Brunão e Bob. Porém, na verdade, o destaque continua debaixo do gol – Léo – com dois troféus de MVG seguidos (Aço e Bronze) na coleção. o Clássico quer alçar voos mais altos com miuta garra e união, conforme Sartori aponta para o segredo da franquia. A Prata é excelente palco para testar a potencialidade desse time.
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