No começo, eram 18 times. Três meses depois, sobraram 12 equipes e muitas perguntas. Quem será que leva o troféu? Quem se junta a Fora de Série e Ras Time e garante uma das duas poltronas restantes na Série Ouro? O Pet vai continuar comendo a bola? Lele, Léo Rinaldi ou Rafa Ornelas vai ser o artilheiro de maior número de gols? Dá para confiar na bola aérea do Bronx? O Peneira vai mostrar que a camisa pesa? É prudente descartar o Fúria da briga?
Se há uma afirmação possível de ser feita agora (e baseada apenas nos números), esta é a seguinte: o principal favorito ao título é aquele que apresentou o melhor futebol e que fez a melhor campanha até aqui – o Fora de Série. O time de Sega jogou um futebol de primeira durante toda a fase de classificação, garantiu o primeiro lugar com dois jogos de antecedência e chega forte. A derrota para o Bode na rodada final é resultado de um relaxamento natural de quem estava 6 pontos à frente, mas também serve para mostrar que não há nada ganho para a turma do Caniggia ainda. É preciso continuar concentrado para serem campeões – e essa é a vontade maior de todos ali.

O Ras Time também conquistou a liderança num equilibradíssimo Grupo B e sonha alto. O time do MVP Pet empatou em campo e em pontos com o Bronx na última rodada e subiu no saldo de gols. Os alvinegros, aliás, entram como terceira força na briga pelo título. Eles ainda precisam chegar ao menos até as semifinais para pensar em subir de divisão, mas pelo menos o time já está garantido nas quartas de final. Pela frente, porém, a perspectiva é de um confronto difícil (Bode ou Fúria) e não vai adiantar só levantar bola na área para o Deko cabecear. Esse joguinho já ficou manjado. Se quiser alçar-se à Ouro, o Bronx terá de fazer algo diferente e sair da mesmice que virou seu futebol.
Como dito, o adversário do Bronx nas quartas sai do duelo entre Bode e Fúria. Os caprinos demonstraram uma evolução magnífica durante a primeira fase após estrearem com resultados negativos. Encerraram vencendo o líder Fora de Série e são favoritíssimos no duelo contra os tricolores. O Fúria, por sua vez, teve a pior campanha entre os classificados, com apenas 8 pontos, e é o azarão. Tem que ter muita reza brava para surpreender, hein, Papai? Porém, experiência não falta a eles, e, apesar da campanha fraca, Fah continua jogando um bolão e comandando o time.

No Grupo A, o vice-líder foi o HidroNG, que penou na fase de classificação. Começou bem, perdeu três seguidas e arrancou no final para superar os rivais e garantir vaga direta nas quartas. Se Caue e Léo Rinaldi estiverem inspirados, o Hidro també entra candidatíssimo ao acesso, já que possui um dos elencos mais habilidosos e experientes de todo o Chuteira. Mas terão que superar uma pedreira. O Morada Choque, 3º colocado do Grupo B e possível adversário, fez uma campanha melhor que a dos aquáticos na primeira fase (18 pontos contra 15). É um time mais maduro e equilibrado do que foi no semestre passado, com as chegadas de Guga (Lodetti), Giba (Valência), Ronald (A.A.A.) e Dinho (Búfalos). Entretanto, a diferença ainda reside no eterno artilheiro Lele e na boa fase de Dedé.
Se quiser encarar o HidroNG nas quartas, antes Lele e cia. terão de superar o Leões do Brás. Os felinos terminaram em 6º lugar no Grupo A e têm um time interessante, cheio de caras novas em relação à temporada passada. Com o artilheiro Berga baleado, as novidades Pato, Vinny e Gotze estão a carregar esse time ao lado de “veteranos” como Mel e Luan. Vide a tabela de artilharia para ver como houve uma pulverização dos gols com a ausência de Berga: com 5 gols temos Mel, Luan, Gotze e Pato; Vinny soma 4 e Berga apenas um. (Para efeito comparativo, no semestre passado Berga anotou 20 dos 37 gols do time, ou seja, 54% dos gols foram dele.) O que preocupa a região do Brás é a oscilação tremenda da equipe, capaz de ganhar um belo jogo do Bode num dia e levar sete do Divino no outro ou perder para um dos lanternas de virada.

Se Bronx e HidroNG chegarem às semifinais, ficará a expectativa de novo reencontro decisivo na final. Os dois times decidiram uma semifinal de Aço e a final da Bronze passada, sempre com vitórias albicelestes. Se os deuses da bola conspirarem a favor de um novo duelo, será que o Telles vai poder finalmente abrir aquelas geladas especiais guardadas há um ano e comemorar com a galera?
Uma cena curiosa na última rodada foi a equipe do Morada comemorando muito cada gol do Imperial contra o Peneira. E se uns vibraram por subirem à terceira colocação, sobrou para o outro ser derrotado e despencar para o quarto lugar no Grupo B e agora ver suas chances de ir longe diminuírem. Isso porque teoricamente caíram no chaveamento mais complicado da Prata. Os peneiristas enfrentam nas oitavas o forte time do Real Madruga, liderado por Zé Mannis, e quem passar pega nas semifinais o Fora de Série. Embaçado esse cruzamento, hein?
A razão do Morada comemorar é exatamente essa – fugiram de dois pesos pesados da Prata, com tradição e camisa. Deixam do outro lado um duelo de camisas pesadas onde um já fica para trás. O Madruga é mestre da Prata e tem um time frio que joga fácil. Zé Mannis comanda o time no meio e Rafa Ornelas voltou à fase de matador, com a sorte estando a seu lado. Russo foi revelação positiva no início, mas sumiu depois de poucas rodadas. Quem sabe acorda na hora do “vamos ver”, assim como Zaron, pouco efetivo e presente na temporada, muito distante dos semestres anteriores.

O Peneira, como diria um repórter que cobre a Ouro, é o time mais casca grossa do Chuteira. Não tira o pé, não alivia e tem tradição, apesar de muitas vezes sofrer um apagão e ser amplamente dominado. Acontece que o time engrenou. Após o jejum na Ouro e nas duas rodadas iniciais, o Peneira começou a ganhar e não parou mais até se ver classificado. A derrota para o Imperial na rodada final custou-lhe a 3ª posição, e agora o time terá de superar os maiores obstáculos se quiser voltar pra Ouro.
Mesmo com grandes contratações oriundas do finado Inflação, o velho conhecido Arnaldo é o destaque do time ao lado de Formiga, Jorge Melki e Anderson Silva. O problema maior do Peneira parece ser a instabilidade. O time ainda não exala plena confiança para a torcida, diriam alguns. Quem será que vai longe? Se quiserem ter chance de subir, Peneira e Madruga precisam eliminar os favoritos e chegar pelo menos na semifinal. Parada dura.
Por fim, Divino e Abusados prometem um confronto equilibrado nas oitavas de final. Os laranjas demonstraram muitos predicados na primeira fase, quando passaram boa parte da campanha na vice-liderança. Acabaram caindo para o quarto lugar nos critérios de desempate. Do outro lado, Bob e cia. vão tentar deixar Lenarduci e sua trupe no caminho. E, se passarem, os caras vão atrás da vingança contra o Ras. Na primeira fase o confronto acabou em vitória humilhante dos
nerazzuri: 9 x 1. Veremos uma volta por cima?
O Divino tem a revelação da temporada, Jonas, e um time que mostrou mais do que podia se esperar antes do início do campeonato. O Abusados, ao contrário, mostrou menos do que se esperava. Seus 12 pontos foram anotados antes os 4 times abaixo dele na tabela. E muito desse sub-rendimento se deve aos números quase nulos de Bob. Outrora artilheiro e MVP, ele soma apenas 4 gols na temporada! Sim, isso mesmo, o MVP e vice-artilheiro da edição passada, de 18 estrelas e 17 gols, tem apenas 3 estrelas e 4 gols. Quem mais apareceu e levou o time à classificação foi Júlio César, de volta ao time após temporada com o Zenite. Ele tem 9 gols e 6 estrelas no MVP. E aí, Bob, vai despertar?
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