
A rodada decisiva do Chuteira Girls será disputada no próximo fim de semana e restam apenas duas vagas para as semifinais. Por enquanto, apenas Roleta Russa Dasmina e Imperial estão garantidos na fase decisiva. Os outros dois passaportes são disputados pelas outras 4 equipes. Todas têm chance de classificação – embora o Rabisco seja amplo favorito a ficar com um deles. Os desafios começam na sexta-feira à noite, com Imperial x SóCanela, jogo antecipado e que poderá já selar alguns destinos.
O amplo favoritismo é das meninas do Roleta Russa. Não à toa ganharam suas 4 partidas, e com folga. Na estreia, golearam o Rabisco, depois passaram por SóCanela, Imperial e Villa Verde – todos com pelo menos 2 tentos de diferença no placar. Os segredos da equipe são simples: jogadoras habilidosas e decisivas – como a líder nos MVPs Denise, Pupo, Tenório e Daniella, entre outras –, entrosamento aflorando, vontade de vencer, além de um comandante técnico, Ricardinho, que tem paixão por dirigir as ‘minas’.
Soma-se a esses fatores outro detalhe importante: ninguém trabalhou melhor as bolas paradas nos 4 jogos que as roletenses. Seja com lançamentos vindos da zaga ou de cobranças de lateral ou de escanteio, as jogadas aéreas foram um terror às adversárias. Porém, o time não quer ‘dormir’ no barulho feito pelos números na tábua de classificação e pela imprensa. “Sempre falamos entre nós que, independente de estarmos indo bem no campeonato, quando chega na fase de mata-mata, as coisas mudam. Semifinal e decisão são outra pegada. Os times entram mais concentrados e decididos a ganhar. Então, não nos sentimos favoritas”, esclarece a zagueira Cenoura.
O favoritismo pode ser perigoso mesmo. Para se ter uma ideia, o Roleta já abriu 5 pontos de vantagem para o segundo colocado, o Imperial. Com isso, não perderá mais a liderança, e ainda se dá ao luxo de ‘escolher’ sua futura adversária na semifinal. No sábado, encara o Só Risada para saber se enfrentará o SóCanela ou o Rabisco – ou até mesmo as próprias risadeiras. O time da artilheira Aline é o que mais oscila até aqui. Estreou goleando as caneleiras, depois empatou com o Villa Verde em jogo onde foi superior, e caiu duas vezes seguidas – para Rabisco e Imperial. Antes dado como certo na fase final, o Só Risada ainda depende apenas de si para avançar.
“Tivemos muitos problemas de lesão. No jogo passado contra o Imperial havia 3 titulares doentes. Cada jogo foi uma escalação diferente. Aí fica difícil manter a regularidade”, lamenta-se Vanessa Carvalho, técnica da equipe. Os fatores extra-quadra são determinantes para o andamento de uma equipe. Vanessa teve problema de escalação em todos os jogos e agora vai disputar sua sorte justamente contra a melhor equipe.
A situação não é cômoda, e as adversárias de sábado são complicadas. Mesmo assim, o time tem tudo para ficar com uma das duas vagas restantes. Além de ter a artilheira do certame, Aline, o Só Risada possui jogadoras que fazem frente às vidas alheias. Na zaga, Sah é a típica zagueira clássica, que desarma com firmeza e elegância – e ainda sabe sair jogando com qualidade; Bianca, Letícia e Raquel se revezam nos ataques e tabelas com Aline; na meta, Madu e Raysa se alternam mas mantêm a mesma excelência nas defesas. Assim, o torcedor do Risada aumenta sua esperança.
A técnica Vanessa não quer ver seu time esmorecendo justamente na fase crucial da competição. “Depois da derrota pro Imperial, eu e a capitã Raquel juntamos as meninas para conversar e as motivar. Nosso time é muito bom individualmente, e para esse jogo contra o Roleta vamos entrar mais atentas e priorizar o jogo coletivo, mas sem menosprezar as jogadas individuais”, adiantou. O Só Risada pode se classificar mesmo perdendo. Com 4 pontos e na 4ª posição, só pode ser ultrapassado por SóCanela e Villa Verde. Se estas perderem, já entra classificada.
As meninas villeiras ainda não conseguiram anotar uma única vitória na tabela de classificação. Estreou empatando com o Imperial e, depois, novo empate ante o Só Risada. A derrota para as caneleiras derrubou o time à lanterna – corroborada com a goleada sofrida para as roletenses.
O VV, que joga de amarelo, tem um bom elenco e jogadoras de qualidade. Pri é uma das goleiras-sensação do torneio; Déia, Thami e Reeh são pilares importantes tanto na defesa quanto no ataque. A principal jogadora tem sido Rê Carrano, que, com muita habilidade aliada à força física, vai desenvolvendo um futebol vistoso. Chega até ser estranho ver o Villa na última colocação.
Para avançar, as villeiras terão de fazer milagre. Vencer o Rabisco e torcer por vitórias de Imperial e Roleta Russa. As imperialistas conseguiram a classificação no último sábado e jogam na última rodada para confirmarem a vice-liderança. O Imperial só não está com mais pontos pois vacilou demais na estreia ante o Villa, perdendo incontáveis gols. Tem um ataque avassalador, liderado por Amanda Lex e Roxa, e com os apoios de Thaís, Naná e Jéssica. Gi, Vilela e Curi garantem o bom sistema defensivo – o segundo menos vazado até agora –, com a arqueira Nanny sendo decisiva tanto defendendo quanto marcando gol.
Tudo isso sob a batuta da camisa 1, Lah, que é uma gigante quando está em quadra. Marca, defende e ataca. Está em todos os setores da quadra em quase todos os momentos. Impressiona tanto o fôlego quanto a habilidade. Sendo assim, a tarefa das caneleiras na sexta-feira será complicada. O SóCanela é a maior incógnita até agora. É capaz de levar uma surra na estreia, fazer frente às líderes (embora tenha perdido), vencer e bem as villeiras, mas voltar a perder quando se esperava confirmação.
O time passou em branco nos 2 jogos iniciais e só balançou a rede pela primeira vez no confronto 3, através de Mamá. Aliás, a ausência da jogadora foi sentida na derrota para as rabisqueiras, bem como os absentismos de Mafe, Renatinha e Flávia. O black team tem nelas, além de Manu, Manuh, Carolzinha e Lú, uma base que poderia dar certo se não fossem os constantes desfalques. Thomé, a destemida goleira sem luvas, faz bonito na meta. Ana Gabi também tem qualidade, mas está ansiosa para marcar seu gol e isso às vezes a atrapalha. Para se classificar, o SC precisa vencer e torcer por tropeço das risadeiras.
Já o Rabisco está com seus mísseis apontados para a semifinal. Matematicamente ainda falta a confirmação, mas virtualmente já está na fase final após engatar duas vitórias seguidas. A vida das rabisqueiras começou ruim ante o Roleta e parecia que teríamos um saco de pancadas. Ledo engano, pois Lica assumiu a responsabilidade de uma verdadeira camisa 9 e vem comandando em quadra as boas jogadoras do Rabisco.
Além de Lica, há outras jogadoras que vêm fazendo bonito: Gabi, Dadá, Ana Laís, Tasha, Pam, entre outras. Elas estão transformando um time fadado à eliminação em classificado. Há também Thalita, habilidosa camisa 10 que foi expulsa na primeira partida, mas retornou em grande estilo no último sábado. Isso tudo sem contar as defesas acrobáticas e arrojadas da arqueira Carla, que está fazendo uma temporada marcante.
Para efeitos de classificação basta uma simples vitória ante o lanterna Villa Verde. Em caso de empate ou derrota, ficaria em boa situação ainda – mas aí as outras duas concorrentes teriam de tropeçar em seus jogos. Um fator importante às rabisqueiras: poderão entrar em quadra já classificadas por fazer o último jogo da rodada. Esta, aliás, começa na sexta-feira, às 20h, com o duelo SóCanela x Imperial.
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