Nem sempre a primeira impressão é a que fica, mas já dá pra ter uma ideia do que virá em seguida. No Chuteira, a 1ª rodada é sempre aquela para se rever equipes, conhecer as contratações, quem saiu de um time e foi para outro, o que esperar dos favoritos, quem pode surpreender e por aí vai. O papo pós-estreia é invariavelmente o mesmo. Portanto, vamos tentar aqui algo do gênero.
A impressão que se tem da Ouro é a de um torneio polarizado novamente entre Mulekes e CAV. Cada um em seu grupo, venceram bem na estreia e, principalmente, convenceram. O Mulekes com seu já manjado futebol de defesa e contra-ataque cirúrgico, como bem assinalou o repórter Henrique Julião. Mesmo sem jogadores como Diego Orsi – que passou a vestir a camisa do rival CAV – Leco e Rafinha, estes dois em intercâmbio no exterior, o time de mestre Caetano apresenta o mesmo futebol. É como se saísse 6 e entrasse meia dúzia. Trocou de peças, mas não de jogo. Daí a sua força. O Inflação pagou caro. Sentiu a estreia e teve o azar de pegar de cara o campeão. A derrota deve ter doído, mas é time para brigar alto, tem experiência e futebol para isso. Temos de ver se Doutor Evandro vai conseguir tirar o melhor do seu elenco.
Quem pagou caro também foi o Bengalas. Venceu a Prata e chegou com mil reforços para a Ouro. Trouxe Ronei do SNG, por exemplo, repatriou Luisinho Fernando, e manteve a base. Mas perdeu Pato, sua estrela maior, já que Ritolê deixou de ser aquele centroavante brilhante há tempos. E sem Pato o Bengalas é um time comum – sabe aquele time que você analisa e não tem um jogador específico que deve ser marcado? Pois este parece ser o Bengalas. Chama a atenção a presença de muitos bons jogadores, mas ainda sem um padrão tático claro em quadra (e aí, Vitão!?). O time atacou o CAV, sim, não há como negar (vide a presença de Diego Gallego no MVG e o MVP ao zagueiro Thiago), mas ainda sem aquela volúpia de dar inveja a qualquer torcedor/técnico/jogador adversário. Vai incomodar? Vai, mas hoje está abaixo de outros times.
Surpresas? Alguém ainda vai teimar em convocar os meninos do Real Madruga de surpresa, zebra ou algo do tipo? A grande vitória sobre o Peneira já abre margem a se pensar o contrário. Ok, os peneiristas estavam desfalcados, né, Luciano e Sergião?!, mas o conjunto do Madruga exala uma energia que poucos times no Chuteira têm. É uma união um tanto sagrada, parece, que faz com que jogadores nada além do normal se tornem maiores, joguem mais. O Peneira sentiu isso na pele.
E o que esperar do querido Peneira agora sem Anderson Silva? Será que a força acabou? A diretoria prometeu reforços, que não apareceram na estreia, assim como o trio ofensivo titular – William, Bruno e Juninho. Sem eles o Peneira é presa fácil. Resta saber se virão jogar mais do que faltar.
A mesma situação podemos dizer do Mercenários, o dono da Bola Fora da rodada por unanimidade. Como um time toma de 8 x 2 de um recém-chegado da Prata? Sem nenhuma falta de respeito ao Kansado – que fez sua parte com maestria – mas o Mercenários não tem cacife para ser saco de pancada. E foi triste ver o time em quadra apanhando na bola, tomando cansaço do Kansado (opa!) e não tendo ânimo pra correr atrás – nem pernas, nem coração. Cada contra-ataque do Kansado era uma desilusão do Mercenários, estampada em rostos abatidos e desesperançados. Marquinhos já avisou que vem gente nova, que terá reforços e que sua luta é meramente para não cair. A pergunta que fica é: qual Mercenários estará em quadra na 2ª rodada diante do SNG?
Opa, já que falamos do morto-vivo Mercenários, por que não já relembrar o “cala boca” do SNG a muitos que o têm como morto? Pois não é que os tiozões fizeram uma estreia de gala? Enfiaram um 6 x 2 no Arouca Jrs., um dos favoritos do grupo, e provaram que podem estar “velhos”, mas não derrotados. De fato, a campanha medíocre do time no semestre passado – com boatos na inter termporada de que o time fecharia as portas – deixou a sensação de um time de Ouro com os dias contados. Luís Romão e cia. querem provar o contrário. Na 1ª rodada conseguiram. E daqui em diante nas próximas oito?
Se o Arouca Jrs. perdeu, o mesmo aconteceu com a matriz – que saiu com um 4 x 6 diante do Fora de Série. O Arouca já não é mais o mesmo – time reformulado, perda de certo status de imbatível, time de chegada – mas o Arouquinha vinha numa ascendente que o colocava sempre entre os favoritos. Essa rodada inaugural deixa a dúvida: estão os Aroucas em decadência, fadados a papel coadjuvante neste semestre?
Dos times que vieram da Prata, já foram citados os resultados expressivos de Real Madruga e Kansado. A goleada deste sobre o Mercenários é mesmo de encher o pulmão de orgulho para falar do que os meninos fizeram dentro de quadra. A correria da trupe é impressionante. Há tempos esse time me chama a atenção, e parece que a perda de Paolo para o Lodetti não afetou em nada o estilo de jogo, nem comprometeu a retaguarda. Porém (sempre tem um porém), já vimos o Kansado na Bronze e na Prata. É o time que começa muito bem, mas não tem chegada. Mal comparando com nosso Campeonato Brasileiro, até aqui em sua trajetória no Chuteira o Kansado se assemelha àquele time que sempre se classifica para a Libertadores, mas nunca fica com o título brasileiro. Assim, a dúvida ainda permanece: o que esse Kansado pode na Série Ouro? Terá experiência e futebol para bater de frente com forças tradicionais da divisão?
A mesma ideia se pode aplicar a Med Taubaté e Jeremias. Ambos fizeram um voo de galinha no semestre passado. Começaram arrasadores para depois serem abatidos até a eliminação. O enigma da dupla é esse: grandes jogos, grandes vitórias – como essa do Jeremias diante do próprio Med Taubaté – mas como fica a longo prazo? Talvez falte isso a eles, assim como Med Taubaté – algo mais promissor do que algumas belas vitórias. Andreas é o nome do Med, mas o nome que pode pesar mais é o de Peruca. Esse é pé frio e derruba time. Voltou ao Med. A sina de maior rebaixador do CHutiera vai se concretizar de novo? Pelo Jeremias, uma grata novidade. Xuri, que chegou agora, pode ser uma resposta para o time ir mais longe. Seus 3 gols indicam nesta direção.
Fora de Série e Zenite – duas vestimentas azuis – são times de conjunto, amizade. Constroem aí sua força maior, que muitas vezes já derrubou adversários maiores e mais preparados tecnicamente. Nessa rodada, o Zenite bateu no Fúria; o Fora, no Arouca. Muita vibração dentro de quadra – e, no caso do Zenite, fora também. Eis uma mistura que nunca pode ser desprezada. Mostraram evolução do semestre passado, o mesmo comprometimento, bons resultados. Classificação garantida, prevejo. Resta fazer o que fazem bem sempre na 1ª fase e ir além num mata-mata.
O TáLigado tem um craque no time. Não é Zaidan, é Lukinhas. O menino é prodígio e numa tarde abençoada mostrou ao É Verdadeee que, a ser isto a apresentar no semestre, a Série Prata é destino certo. King avisou que o time foi fechado semana passada. Geralmente para isso dar certo tem de ter muitos craques, o que não parece ser o caso do burrinho. Nem a presença de Gavião na torcida ajudou. O semestre vai ser sofrido ao burrinho, assim como indica ser ao Fúria. O sapeco que sofreu do Zenite e um grupo muito equilibrado podem devolver o time à Série Prata. A convocação é a seguinte: irmãos Motta, voltem a jogar aquele velho futebol! O Fúria precisa de vocês! Afinal de contas, apenas o Fah e Papai do Axé não segurarão o time na Ouro!
Fechando a rodada – e esta análise – Bacana e Só Resenha. Se o primeiro levou a melhor na semifinal passada, o segundo mostrou que quer de fato ser dos grandes do Chuteira. Trovão chegou pomposo e preocupado – estaria com elenco reduzido em quadra. Saiu radiante e, creio, confiante – virara um jogo perdido no segundo tempo. O bate boca entre jogadores e torcida ao fim do jogo manchou um pouco a bela vitória resenheira. Entretanto, olhando hoje, o time do Resenha vem para incomodar e muito os favoritos. Na verdade, muitos já colocam o Resenha como uma das quatro forças da atual edição. É ver para crer se os reforços encaixarão. Se sim, será mais que um simples problema.
E o Bacana? Ah, o Bacana. Sempre tido como forte, grande, de chegada, mas devo admitir – como já falei para o Marcelão algumas vezes – que não aponto o Bacana como favorito. Não vejo no time a força de outrora – e sei que isso vai me custar muitas críticas e xingamentos! O time trouxe Bahia e Camillinho, ambos do Lodetti, mas ainda falta algo. O quê? Aí fica difícil dizer. Se o Bacana for campeão, é porque eu descobri e contei ao Marcelão. Enquanto isso, vamos ver se o time cala minha boca diante do Zenite. É um bom começo para mostrarem-me que estou errado.
Comentários (2)
- Victor Henrique De Sicco Vianna
set 11, 2014Gosto de time bagunçado Kkkkkk!!! jogar contra o CAV atancando o jogo todo, só o Bengalas faz kkkk. E realmente o time não tem um padrão de jogo e nenhum craque, só um bom elenco.
- Camillinho #10
set 11, 2014Conversamos ao fim do campeonato! 😉