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A ÚLTIMA CURVA DA SÉRIE BRONZE

BDA largou na pole e liderou de ponta a ponta 3ª edição da Bronze, porém, na reta final, o Bacaninha, que ficou com a última vaga na fase de grupos, deu uma arrancada memorável, derrubou favoritos e pode atravessar em primeiro a linha de chegada

Quem fica sabendo sobre os dois finalistas do III Chuteira de Bronze – e se recorda de toda a fase classificatória –, provavelmente fará comparações do tipo ‘Davi e Golias’, ‘Internacional e Mazembe’, Barcelona e Santos (para entrar no clima), entre outros casos envolvendo, de um lado, alguém com força, e, do outro lado, algo com menos força. Tudo isso porque o Bonde dos Abelhas é a equipe de melhor campanha da competição até o momento, enquanto o Bacaninha viveu dois momentos distintos – começou só perdendo, mas se recuperou no certame e classificou-se na “bacia das almas”, avançando de fases no mata-mata na base da raça e superação. E, caso o resultado final seja uma vitória do Bacaninha, no próximo sábado, haverá gente comparando esse título com a campanha do Santos, de Robinho e Diego, no Brasileirão de 2002 – quando o time da Vila Belmiro classificou-se em 8° colocado na fase classificatória e, na hora do “vamos ver”, foi despachando os times que terminaram em posições acima, como o líder e favorito São Paulo (foi o último campeonato com esse formato, antes de ser implementado o sistema de pontos corridos).

Ao analisar a tabela desde o primórdio, alguém pode se surpreender de um lado, mas não leva um susto do outro. O inesperado é o Bacaninha. A equipe formada da ‘costela’ do Bacana fez uma campanha razoável na edição anterior da Bronze, quando ainda se chamava Tudo Bacana. Na ocasião, revelava um jovem bom de bola chamado Lê Leme. O semestre passou, e o manager Marcelão decidiu junto à cúpula do time trocar de nome: passaria a ser Bacaninha. Nesta temporada, de início, uma campanha pífia: quatro derrotas pra deixar qualquer torcedor desanimado. Todavia, a partir dali a equipe acumulou 4 triunfos e um empate – suficientes para fazer 13 pontos e assegurar a oitava posição no Grupo B.

“Chegamos pois tivemos muita motivação, vontade e determinação”, atesta Vitão de Sicco, técnico do time. Com os três elementos citados, o caminho do Bacaninha ficou mais tranquilo. E a união também ajudou, como afirma Vitão: “Fizemos de um time uma família, e essa família gerou um grupo de guerreiros. Foi esse espírito que nos fez chega à final”.

Se o time do capitão Pedro Velardo é o ‘patinho feio’ da decisão, o Bonde dos Abelhas chega com o status de favorito. A equipe sempre foi apontada, desde a 3ª rodada, como a grande favorita a estar entre os quatro melhores desta edição. O BDA estreou no I Chuteira de Bronze, mas não fez muito sucesso; na segunda edição, foi mais além, classificando-se à fase final. Mas na 3ª edição da Bronze eles se entrosaram de vez e terminaram na ponta do mesmo grupo B – garantindo presença na Série Prata, em 2012. E, a partir da fase mata-mata, foi eliminando seus rivais até chegar à decisão. “O BDA chegou à final porque é um time onde um se esforça pelo outro. Estamos aqui porque gostamos de jogar bola uns com os outros, e não porque queremos aparecer pros outros”, revela André Luiz, o Dé, que iniciou como técnico (por motivo de contusão), mas que retornou às quadras pra jogar pela equipe na última rodada da fase classificatória.

Por coincidência, o jogo que encerra o certame repete o realizado na primeira rodada: triunfo do BDA por 4 x 3. Lê Leme, camisa 11 do Bacaninha, esperava qualquer time advindo da chave B: “Apesar de todos falarem que não era tão difícil, tinha muitos times competentes no grupo e, entre os oito classificados, todos poderiam chegar à final”. Porém, o craque gostou do adversário. “Ficamos com aquele gostinho de revanche, pois perdemos para eles na primeira rodada, mas agora acho que o time está bem focado em vencer, e podemos surpreender”, finaliza.

Pelos lados do BDA, jogar ante o Bacaninha não é tão surpreendente. “Na fase de grupos não apostava neles, pensei que a final seria contra alguém do Grupo A”, afirma Thiago, o famoso Negão do BDA. O homem da música dos Abelhas vai mais além: “Mas na fase de mata-mata já sabia que eles iriam longe, demonstraram muita vontade. Um time bem unido e, fora, a torcida pode ter motivado mais eles”.

Ainda na caminhada rumo à grande decisão, alguns percalços quase atrapalharam a vida dos finalistas. “O jogo mais complicado que tivemos foi contra o NGM, na primeira fase, pois estávamos perdendo por quatro gols. Mas aí, numa força de vontade incrível dos nossos meninos, e numa partida memorável do Lê Leme, conseguimos virar o placar e nos classificar na última rodada”, recorda-se Vitão. Já pelos lados dos Abelhas, Negão recorda de times de seu grupo, em especial a única equipe a bater o BDA no torneio: “O mais complicado vou falar que foi o Roleta Russa Clássico, porque foi o único que a gente perdeu, né? Mas TCM, Condor’s , Bacaninha e Basicus foram bem chatos de enfrentar também”.

Para a grande decisão de sábado, os times preparam suas armas ao grande embate. Trata-se de duas equipes ofensivas. O BDA conta com o entrosamento de jogadores como Guarulhos, Vi e Kavanha, além do principal jogador do torneio, o camisa 10 Maca. “Eu acho o BDA um time que sempre procura o ataque, não fica muito jogando na defensiva. Busca sempre o gol. Temos que marcar o camisa 10 deles, que já é o MPV do Chuteira de Bronze. Espero que possamos segurar um time que joga sempre sufocando os adversários”, fala Lê Leme.

Já pelos lados do Bacaninha, os destaques são muitos, como aponta Dé: “O Lê Leme é um dos principais jogadores do Chuteira. Muito decisivo nos momentos importantes. E fica aqui meus votos para que ele possa estar 100% para a final, pois só abrilhantará mais ainda a decisão. O capitão Pedro Velardo também é um ótimo jogador, nossos atacantes vão ter trabalho”.

Com campanhas tão diferenciadas, mas com um futebol bem parecido, a decisão do III Chuteira de Bronze promete muitas emoções. A pergunta que vem à mente é: será que o Bacaninha vai repetir o Santos de Diego e Robinho, quando terminou na 8ª posição e, na fase mata-mata, sagrou-se campeão?
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