Em semifinal que promete arrepiar, o experiente SNG aposta no conjunto e na disciplina tática diante do bom toque de bola e precisão do melhor futebol do atual torneio até o momento
O X Chuteira de Ouro está chegando ao fim, e com ele vão aparecendo confrontos de arrepiar. Tanto nas oitavas quanto nas quartas de final, somente jogos para testar o coração de jogadores e torcedores. E faltando apenas 2 partidas para se conhecer o campeão, é natural que a emoção e a ansiedade aumentem. E um embate nas semifinais promete abalar as estruturas do PlayBall no próximo sábado: um duelo de gente grande entre Arouca e SNG.
A trajetória das duas equipes durante o certame foi muito interessante. O SNG, acostumado a se classificar direto às quartas de final, terminou na terceira posição do Grupo B e teve que encarar as oitavas de final. “Esse foi um começo (de temporada) esperado por nós. Isso devido à entrada de novos jogadores com habilidades diferentes, que acrescentaram a nossa principal característica: o jogo coletivo. Estamos crescendo na hora certa”, aposta o ‘motorzinho’ da equipe, Biro.
Já o Arouca fez caminho inverso. Acostumado a encarar as oitavas de final, ou até a eliminação precoce, o time mostrou futebol objetivo e consistente. Com essa fórmula, alcançou a primeira posição do mesmo Grupo B e avançou direto às quartas de final. “Quando aceitei o convite do Vitão para me juntar ao Arouca sabia que iríamos ser competitivos e iríamos incomodar os ‘grandes’. Mas, sinceramente, não contava que a equipe se encaixaria tão bem em tão pouco tempo”, confessa um dos destaques do time, o craque Luisinho Alexandre, que chegou ao Arouca neste semestre após uma vida no Bacana.
Este pode ser considerado um duelo entre a técnica do SNG e a disciplina tática do Arouca. Isso pôde ser notado nos confrontos que levaram as duas equipes a esta fase da competição. O SNG, mesmo com dificuldades ante o Estudiantes nas oitavas de final, avançou. Porém, nas quartas de final, arrebentou com a defesa menos vazada do torneio, a do Real Paulista. “Nosso time é mais leve, mais jovem, e talvez por isso passe a impressão de ser técnico. Mas acho que somos um time bem equilibrado taticamente também”, comenta o camisa 9 do SNG, Memé.
Em contrapartida, o Arouca realizou duelo histórico ante o Bengalas nas quartas de final, acabando com o sonho do tetra do time adversário. “Sempre tivemos uma excelente equipe, só que não conseguíamos uma sequência grande de vitórias e tropeçávamos na reta final. Este ano trouxemos alguns outros atletas (amigos) e isso mudou o astral da equipe. O fato de ter derrubado o atual tricampeão não muda em nada o espírito do time, só nos dá mais moral. Mas temos que ter os pés no chão porque não ganhamos nada ainda”, declara o técnico Galizé.
O confronto é histórico. Sempre que se enfrentam, há uma igualdade muito grande. O número de gols nas partidas costuma ser baixo. Para Luisinho Alexandre, o equilíbrio se deve “ao fato dos dois times terem características muito parecidas”. “São dois times bem postados, que atacam bem, sem abrir mão da defesa. Além disso, acho que há um respeito mútuo”, completa. Allan, zagueiro do SNG, segue a mesma linha de raciocínio do adversário: “É um confronto de respeito e totalmente calculado. Nenhum dos times se expõe durante a partida. Pode ser que nessa semifinal, no fim do jogo, um time tenha que se abrir para buscar o resultado”, aponta o xerife de laranja, que está suspenso para a partida.
Com dois títulos em sua bagagem, o SNG tem atletas de sobra para comandar a equipe. Como exemplo, irá contar, para esta ‘decisão’, com as defesas de Sampa, com a força física de Biro, com a rapidez e habilidade de Ronei, e com a experiência e frieza do atacante Renê. “Temos algumas coisas que motivam o SNG - não vou abrir para o adversário. Mas o SNG não medirá esforços nesse jogo”, externa Allan. “Já estou nervoso hoje, imagina no dia. É uma sensação horrível não poder entrar em campo para ajudar a família SNG. Vou dar tudo de mim do lado de fora para ajudá-los”, continua o zagueiro.
Se por um lado encontra-se um time acostumado às conquistas, o mesmo ainda não se pode dizer do Arouca. Mas com a campanha demonstrada até agora, o time se credencia ao seu primeiro título da Série Ouro. Com Maurício no gol, Vitão na zaga, Luisinho Alexandre e Marquinhos Bohn no meio de campo, entre outros, o time vai mostrando força. “Vai valer, sem dúvida nenhuma, raça e vontade. Porém, não podemos nos esquecer de jogar futebol, que é o que sabemos fazer. Porque técnica e tática nós temos, só precisamos somar a raça e a vontade frente ao grande adversário que teremos”, avalia Galizé.
Na história do confronto, o SNG jamais perdeu para o Arouca. Ao longo dos anos – desde o VIII Chuteira de Ouro, foram 4 jogos, sendo 3 empates e apenas uma vitória, nas quartas de final do torneio passado. E a equipe quer manter a escrita no próximo sábado. “Tomara que continue assim (risos). Respeitando, e muito, a equipe deles, que jogam na bola. (Eles) têm o melhor futebol, até o momento, do Chuteira. Desbancaram os atuais tricampeões e têm grandes jogadores. Mas esperamos que, no final, o tabu possa continuar a nosso favor para disputarmos nossa 5ª final”, deseja Memé.
Ao Arouca, a vitória vale tanto pela classificação à decisão, quanto à quebra do indigesto tabu. Para Luisinho Alexandre, “tabus estão aí para serem quebrados”. “Acho que uma semifinal é uma ótima oportunidade para isso. Com todo o respeito ao SNG, mas se eu não acreditar que meu time pode vencer, nem entro em quadra. Vamos respeitá-los, como respeitamos todos os nossos adversários. Vamos com a consciência de que será um jogo dificílimo, mas confiantes de que podemos sair com a vitória”, analisa.
Assim que foi definido o duelo, muitos torcedores e jogadores de outras agremiações já apostavam que o campeão desta edição da Série Ouro sairia deste grande jogo. Mas este não é o pensamento dos atletas das duas equipes. “Não existe time vencedor de véspera. O Mulekes não era favorito? Pois o Só Resenha foi lá e venceu com propriedade. Assim como o Fora, que tem uma excelente equipe. São times que merecem todo o respeito”, avalia Galizé. “Não será uma final antecipada. Cada jogo tem sua importância. Esta vai ser uma semifinal de arrepiar, assim como a outra. Quem passar para a final vai ter uma ‘guerra’ pela frente”, defende Allan.
As equipes estão se preparando para aquele que promete ser um confronto para ficar guardado na memória de quem estiver presente ao PlayBall. Biro manda o seu recado: “Quero convocar a torcida do SNG pra comparecer em peso – literalmente (risos) –, e como sempre, dar a maior força. E paz, galera. Acima de tudo, vamos nos divertir”. Já o recado de Luisinho Alexandre é um tanto inusitado: “Meu recado vai para o Renê: RR, não aguento mais empatar com você. Se estiver empatado, faltando 30 segundos para acabar o jogo, vamos tirar um ‘par ou ímpar’, e quem vencer faz um gol. Fechado?”, comenta rindo.
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