Na prévia da final da Bronze, os repórteres do Chuteira entram em campo para mostrar que, além de escrever, batem um bolão. Eis o I Duelo Imprensa x Anti-Imprensa do Chuteira

A relação jogador/imprensa nunca foi das mais amistosas. Nem sempre o que um repórter escreve (ou fala) e publica é do agrado daquele que sua a camisa dentro das quatro linhas. No Chuteira de Ouro, a relação entre essas duas classes, apesar de nunca partir para as vias de fato, com já se viu no circuito amador, segue à risca o que acontece no futebol de campo profissional: amor e ódio caminham juntos nas reportagens espalhadas pelo site. E, para aparar as arestas existentes e dar uma chance de descontar no outro tudo aquilo que têm vontade quando se manifestam, será realizada amanhã a primeira partida festiva entre Imprensa e os Anti-Imprensa. Uma oportunidade de diversão ímpar, onde o importante será vencer, na bola, para ‘calar’ o ‘outro lado’.
Os motivos que levam os jogadores a atacar um determinado repórter são muitos. Desde um deslize ao não relatar uma jogada importante que resultou em gol, até um jogador ser creditado erroneamente na matéria de determinada partida, os desacertos fazem parte da rotina jornalística. E isso, em muitos casos, não é compreendido pelo jogador.
“Tudo é uma questão de ego. Uns têm birra porque não gostam de ler críticas. Outros porque veem erros nas matérias, outros porque não aparecem tanto, outros porque não se sentem valorizados o suficiente, mais alguns porque a dor de cotovelo fala mais alto. E, claro, tem também aquele que não gosta do repórter, ou de mim, aí tudo é motivo de crítica”, analisa Lucas P., capitão do time da Imprensa.
Gustavo Vasconcellos, em um ano de Chuteira, já foi elogiado mas também criticado. Segundo ele, repórter pode até errar, mas o foco está no próprio jogador. “Alguns jogadores acham que jogam muito bem, quando, na verdade, não são tudo isso. Ao lerem as matérias, acabam ficando bravos e culpam a gente por isso. Às vezes, a culpa é nossa também, por errar na descrição de algum lance ou não citar uma jogada ou outra. Mas, em geral, acho que a ‘birra’ que eles têm é uma grande besteira. Estão todos ali para se divertir e aprender (no caso dos jornalistas)”, aponta ele, que recebeu elogios de sua cobertura da decisão do VI Chuteira de Prata.
Outro que partilha da mesma visão de Gustavo é Vinicius Bento, um dos repórteres de maior longevidade – e de alto índice de rejeição – dentro do universo Chuteira. “Eles têm implicância porque querem que em todos jogos sejam os craques e melhores jogadores em campo! Para alguns, não é permitido estar em uma tarde ruim ou perder um jogo para uma equipe melhor”, atesta Bento, que conta um caso curioso: “Uma vez, um goleiro tomou 13 gols e reclamou que falaram mal dele! Assim não dá, né”.
Bento é um dos repórteres mais polêmicos do Chuteira. Com seu lap top em mãos, ele descreve os jogos desde 2009, nas 3 divisões. Já arrumou alguns desafetos, como Marcião (TCM) e Luiz Pane. Este último, camisa 10 do TNT, fará parte da esquadra que tentará calar os jornalistas, bem como Bento. “Sempre fui agradável com o pessoal da imprensa. Mas quem eu queria encarar era o Bento, pelo fato do mesmo ser um pouco ‘falastrão’, porém, já tive a oportunidade no III Chuteira de Bronze (vitória do TNT sobre o Invictus). Então, pode ser o Folha mesmo”, fala Pane, que confirmou presença no próximo sábado. Folha nao estará em campo, mas Bento promete jogar muito para dar a vitória à classe.
Quem também está garantido no time Anti-Imprensa é Victor Petreche, camisa 17 do The Veras. Petreche é um dos jogadores mais calmos do Chuteira, mas um repórter em especial foi capaz de tirá-lo do sério. “Creio que fui chamado a pedido do Andreassa. Ele sempre escreve matérias sobre o Veras dizendo que só nos defendemos, que jogamos mal, que demos sorte, sendo que em nossos jogos atacamos pra caramba e o goleiro adversário acaba entrando para os MVGs (em 4 jogos isso aconteceu, sendo 3 vezes eleito o melhor goleiro da rodada)”, desabafa o jogador. Ele diz ter bom relacionamento com o restante da imprensa. A ‘pedra no sapato’ de Petreche é mesmo o repórter titular da Série Ouro. “Saiba que quando ficamos na Ouro
(vitória na última rodada ante o Fora de Série) eu disse a ele que teria de nos aguentar mais um semestre. Ele me respondeu que talvez nós do Veras é que teríamos de aguentá-lo. É mole?”, surpreende-se um dos destaques do Veras.
Quem também marcará presença é Tiago Starck. O camisa 9 do Basicus é figurinha carimbada nas análises da rodado escrita por Douglas Almasi Santos, em parceria com Lucas P. Ele já foi classificado como o “inimigo nº 1 da imprensa”. Claro, tudo dentro da esfera sadia da brincadeira. “Apesar da fama de ‘inimigo da imprensa’, nunca criei nenhum problema no campeonato, nem com adversarios, nem com juízes, muito menos com a imprensa, por isso não tem ninguém que eu queira enfrentar de uma forma negativa”, conta Starck, que será marcado pelo seu “desafeto” Douglas. “Pelo lado da brincadeira, espero dar um ‘rolinho’ ou qualquer drible em cima do Douglas, pois sei que é ele quem vai me marcar e vai ficar falando o jogo todo que nem uma ‘matraca’! Mas, apesar de falar mal, sei que ele adora escrever meu nome nas matérias”, jacta-se Starck.
Outros jogadores que já se engalfinharam com algum repórter marcarão presença no jogo festivo: Ferrugem (Di Primeira), Bruno Costa (XTJ), Will Eirado (Irados), Denão (DPGamos), entre outros, irão compor o Anti-Imprensa. No time dos jornalistas, Guil Nasser, Felipe Vite, Carlos Sâmia, entre outros, além de Weinny Eirado, tentarão não manchar a reputação daqueles que cobrem o Chuteira de Ouro. “Minhas expectativas quanto a esse jogo não são as melhores. Acho que nosso time vai tomar uma ‘sacolada’, mas, tudo bem. Espero que consiga brincar um pouco e jogar alguma coisa”, contenta-se Gustavo.
Quem também marcará presença é Luis Saninana, um dos primeiros repórteres dentro do Chuteira. Ele, um estudioso da relação conflituosa entre as partes, expressa sua opinião sobre a “guerra particular” entre jornalistas e jogadores. "Há atrito porque o repórter tem opiniões diferentes, cada um vê o jogo de um jeito. Quando um time perde e é criticado, por exemplo, dificilmente a crítica é aceita. Nenhuma equipe gosta de ler que foi pior que a outra. Outro exemplo, já vi muito isso, é um time ganhar, mas a outra equipe foi melhor e você escreve isso na matéria. O time que ganhou começa a criticar, falando que o repórter viu outro jogo. Dificilmente alguém aceita uma crítica, e nós, jornalistas, temos essa função de criticar quando preciso, além de passar a informação”, opina Saninana.
Se a intenção é um ‘tira-teima’ entre as classes, por que não se divertir? É o que pensa, também, Starck: “O bom dessa partida é que vou conhecer pessoas novas, pois, pelo que percebi, não conheço ninguém que vai formar o time comigo. Pelo lado da provocação, espero poder ajudar bem o Anti-Imprensa a golear, pra fazer a imprensa ter que escrever sobre seu próprio vexame. E, se possível, com uns dois gols meus, quem sabe (risos)”.
Para Lucas P., acima da rivalidade, sempre sadia, a partida é uma forma de gratidão à turma que ajuda a fazer do Chuteira o sucesso que o torneio tem hoje. “O jogo é uma oportunidade de agradecer e deixar essa rapaziada jogar uma bolinha. Eles passaram 4 meses com a gente todo sábado, sentados, só vendo jogo, anotando, escrevendo e sendo criticados no site (elogiados também, é bom frisar). Eles também merecem correr um pouco e mostrar que são craques de bola”, explica ele. “O pessoal vai ter a chance de ver e criticar o futebol dos jornalistas! Aí sim será uma vingança saborosa – meter um rolinho, fazer um gol e gritar ‘chupa, jornalista!’. Ao mesmo tempo, imagina o orgulho que vai ser o repórter ouvir das arquibancadas: ‘Volta a escrever porque isso você faz melhor que jogar’. Pode ser o primeiro elogio de muitos ali!”, completa o camisa 10, que prometeu gol para seu maior corneteiro, justamente Bruno Corneta.
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