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SÉTIMA FALTA #1 – ERRAR AINDA É HUMANO

A partir de maio, Weinny Eirado assina mensalmente a coluna Sétima Falta, que visa discutir o Chuteira além das quatro linhas, buscando no que nos cerca – arbitragem, regras, táticas etc. – elementos para discussão e conhecimento

Erros acontecem todos os dias no mundo inteiro, sejam próximos ou distantes dos nossos olhos. Errar é humano, e no futebol não é diferente. Um esporte que possui 22 seres humanos participando ativamente, tentando muitas vezes ludibriar quem está julgando o que é certo e errado, dificilmente tem uma porcentagem de 100% de acerto para quem está trabalhando nesta difícil função: a de árbitro de futebol.

Se erros acontecem no mais alto nível mundial de arbitragem, por que não vão ocorrer no futebol society amador? Por um erro de Gottfried Dienst, a Alemanha perdeu a Copa de 1966. Não tão distante assim, a França entrou na Copa de 2010 por conta de um gol de mão de Thierry Henry, que eliminou os sonhos de milhões de irlandeses.

Que fique claro: não sou advogado da comissão de arbitragem do Chuteira e nem tenho essa pretensão. Para ser sincero, possuo poucos amigos que trabalham com arbitragem. Já fui prejudicado inúmeras vezes quando estava dentro de quadra. Em algumas delas, o erro do árbitro mudou o resultado do jogo.

Contudo, não sou hipócrita. O árbitro já errou a favor do meu time e eu fiquei calado. Aliás, quem é que questiona o juiz quando o erro favorece o seu próprio time? Falar que o cara é ladrão é fácil. Mas não ser “cúmplice” de um erro que está prejudicando alguém do outro lado é bem mais complicado.

Acreditar que o árbitro levanta da cama num sábado para apenas prejudicar a sua equipe é algo fora da realidade. Digo mais, é mania de perseguição! Nada é tão importante a ponto de uma pessoa jogar fora a sua credibilidade profissional para apenas errar a favor de alguma instituição.

Também não vou negar que existem juízes que não estão preparados para lidar com as pressões e adversidades de um jogo pegado. Erros acontecem, mas é preciso estar preparado para não cometê-los. E, se cometer, é preciso estar pronto para seguir em frente e manter o foco na partida. Contudo, pense bem: o árbitro é um ser humano igual a você. Ele não tem superpoderes, não tem quatro olhos e não tem recursos tecnológicos para consultar.

Assim como você, ele erra. Mas quando você erra um gol, ele não grita com você. Quando você perde a bola, ele não xinga a sua mãe. Então por que você tem o direito de fazer isto? Tá certo que nem todos os árbitros são simpáticos, mas medir as palavras que vão ser usadas com alguém que está trabalhando para o seu bem estar é uma questão de educação.

Por fim, não estou dizendo que é certo errar. Nem estou tentando isentar ninguém de nada. Quem erra deve ser punido, pois não está lá para errar. Mas quem nunca errou na vida profissional que dê a primeira bolada! Como uma vez disse Anton Tchekhov, “errar é humano. Atribuir os erros aos outros é mais humano ainda”.
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