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PING PONG # 10 – Não à aposentadoria!

           

Mauricio Guedes, o M1, é goleiro do Arouca desde a fundação e, aos 43 anos, não pensa em sair da cena chuteirense tão cedo
  • DESCONTÃO PRA VOCÊ

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 Dino Zoff, Roger Milla, Francesco Totti, Alessandro Costacurta, Faryd Mondragón, Zé Roberto... O que têm em comum? Jogadores brilhantes que atuaram (ou atuam, no caso do brasileiro citado) até os 40 anos. Em alguns desses casos, ultrapassaram essa barreira. Isso se deve ao amor e à dedicação pelo esporte, no caso, o futebol. Sem essa paixão dificilmente Zoff teria levantado a taça da Copa do Mundo de 1982, Milla não teria ajudado a colocar Camarões no mapa mundial em 1990, Totti não seria considerado um dos jogadores mais fiéis ao seu clube etc.
 
É justamente essa premissa que faz de Mauricio Guedes um longevo jogador do Chuteira de Ouro. Aos 43 anos, o monstro consagrado das traves do Arouca está em plena atividade e ainda quer jogar por mais alguns anos. Seja pela paixão em fazer defesas, seja pela amizade que trouxe ou conquistou durante seu período em que viveu alegrias, e algumas apreensões.
 
“Sou um cara altamente competitivo e acredito que, enquanto mantiver este espírito e a carcaça aguentar, poderei contribuir com o time. A minha ideia é, no mínimo, não atrapalhar o Arouca. Mas sempre passa pela cabeça a ‘aposentadoria’, o que causa frio na espinha em quem tem uma paixão enorme pelo futebol, pela meta e pelo Arouca”, é o que pensa o grande M1 – apelido que ganhou graças às suas habilidades como um dos maiores goleiros da história do Chuteira.
 
Confira a seguir um papo gostoso e descontraído com o Mauricio, onde ele fala sobre o passado e o presente arouquenses, relembra a grande conquista do time em 2012, além das polêmicas com o CAV. Afinal, toda boa entrevista começa com um bom goleiro.
 
O Mauricio tem 43 anos e está em plena atividade. Como consegue manter o alto nível e ainda jogar o Chuteira entre tantos garotos?
Para começar, vamos colocar alguns pingos nos ‘is’: o “alto nível” é estritamente de sua parte (risos). O Arouca este ano fez 10 anos de existência (dia 4 de maio). Fui convidado pelo Vitão (zagueiro da equipe) a fazer a ‘peneira’ em meados de julho de 2007 (2 meses após sua criação) e, desde então, estou à frente da meta. A paixão contumaz pelo futebol e Arouca para mim se confundem; não sei quem vem primeiro e acredito que seja este sentimento que faça com que eu ainda consiga jogar mantendo certa regularidade. Ao meu ver, esta regularidade é alcançada com experiência de quem já errou o bastante para utilizar disso como inspiração e aprendizado. No mais, como dizia um finado tio meu: “No futebol quem tem de correr é a bola, não o jogador”. Daí, parado, fica um pouco mais fácil de jogar.
 
 

Você é um dos jogadores mais velhos em atividade no Chuteira, mas não é o mais velho da história. Recentemente, o Marco defendeu a meta do Inflação com pouco mais de 50 anos, por exemplo. É específico da posição aguentar tantos anos jogando ou vai mais de cada pessoa? 
O fator pessoal ajuda e é importante para qualquer pessoa que queira praticar esportes, portanto entendo que é uma questão subjetiva. Porém, o goleiro não precisa trabalhar em uma faixa extensa da quadra, o que dá a oportunidade de não precisar de um fôlego de um jogador de linha. Claro que a posição requer agilidade, reflexo, posicionamento, mas quanto mais experiência você ganha, menos esforço em vão você faz. É o chamado ‘conhecer os atalhos do campo’, mas acredito que não bata o recorde de 52 anos defendendo a meta do Arouca. A molecada me mataria antes disso, mas, parafraseando o velho Lobo [Mário Jorge Lobo Zagallo, tricampeão do mundo de futebol, duas vezes como jogador (1958/62) e uma vez como treinador (1970)], “vocês vão ter que me engolir” (risos). Aqui cabe lembrarmos que o Chuteira sempre foi muito bem representado no gol por jogadores mais experientes, e ainda é.

Em 2012 o Arouca se sagrou campeão, mas nos anos seguintes o time oscilou bastante. Por que o time teve, e ainda tem, dificuldade em levantar o bicampeonato?
O Chuteira é recheado de times bons e competitivos. Em 5 anos uma equipe sempre classificar-se na fase de grupos, disputar duas finais, conquistar um título, não vejo como uma má campanha. Porém, tenho que concordar que temos um time competitivo e sempre se espera que cheguemos nas cabeças, mas não é fácil manter uma regularidade no decorrer dos anos. Sempre há uma reformulação e muitas vezes não dá tempo do entrosamento desejado. Óbvio que o objetivo sempre foi de sermos campeões, mas têm dias que o futebol não encaixa, têm dias que não podemos contar com todos do elenco, muitas vezes falhamos quando não podíamos e precisa levar em conta que do outro lado existem outros times com a mesma vontade de ser campeão. Já são quase 5 anos desde 2012, tempo suficiente para haver algumas transições na vida das pessoas, principalmente profissional, o que acaba mudando o foco (com toda razão e prioridade). Não foi diferente com o Arouca, que perdeu alguns de seus jogadores. Mas posso dizer que nunca faltou entrega para todos que passaram no time e vamos continuar na busca pelo bicampeonato.
 

Chegaram a bater na trave na 18ª edição da Ouro, quando foram derrotados na decisão pelo Clube Atlético da Vila. Fale desse período no qual a equipe montada por Caio era o time a ser batido no Chuteira. A rixa entre vocês existia mesmo? Durante a semana que antecedia algum jogo entre os dois, as preleções eram maiores? Sabiam da vontade extra do manager do CAV em bater o Arouca em quadra de qualquer maneira? 
Aquela edição fomos chegando comendo pelas beiradas. Começamos o campeonato muito irregular e fomos crescendo aos poucos até chegar na final. Qualquer semana que antecede uma decisão gera uma expectativa, ansiedade, mas isso não tem relação com o time que jogaremos contra, é inerente à final. Quanto à rixa, não lembro de ser muito diferente dos outros jogos. Claro que o CAV era o time do falastrão do Chuteira, era cheio de boleiros da cena F7, o que os faziam favoritos, mas as preleções do Arouca foram e ainda são sempre as mesmas: 10 minutos antes do início do jogo, no próprio gramado, sendo que, dos 10 minutos, 5 geralmente alguém é pego para ser zoado. Mas acredito que o Caio (Fleischmann, manager do CAV) pagava bicho dobrado para ganhar da gente. O Netto (jogador do Arouca) é muito corneta e ele sabia que teria que aguentá-lo nas semanas seguintes (risos). A parte boa de ganhar do CAV era ver o Caio nervoso. Já o vi chutar lixeira no PlayBall gritando que iria tirar o time do campeonato. Com o devido respeito que merece o Caio, isso era engraçado. Particularmente, em 2014, ficou um gosto de que podíamos ter vencido. Foi uma final muito equilibrada, gols perdidos dos dois lados, tanto é que resultou em pênaltis (no tempo normal e prorrogação com morte súbita a partida terminou empatada em 1 x 1). A manchete da matéria sobre a final foi: “Com reza, CAV garante bicampeonato nos pênaltis”. E foi verdade, teve gente suspensa fora da quadra rezando e incrédulo com o que aquele time do Arouca estava fazendo. Mas perdemos, e o título ficou com uma ótima equipe.
 
Antigamente, o Arouca era a equipe mais encardida do Chuteira. Sente que ainda é assim em quadra ou isso já perdeu força?
Acho que todos nós sentíamos isso. Os times entram com vontade de ganhar de nós. Mas acredito que seja por conta da importância que o Arouca ganhou nestes anos como time que está sempre chegando e todos as equipes querem ganhar. Acrescento ainda que cada time rival tem sua peculiaridade com o Arouca: uma eliminação ali, um amigo em comum que vai causar se ganhar, um jogo passado mais quente, ou seja, sempre há alguma maneira de injetar um ânimo diferente. Para que não soe como soberba, hoje não estamos com esta força e fama toda. Todos sabem que o time é forte, competitivo e tem camisa, mas já não assustamos mais como antigamente (risos), o que faz o Arouca tomar mais cuidado e correr muito mais para beliscar uma vitória e tentar avançar.
 

Na atual temporada, o Arouca montou, no papel, uma grande equipe. Porém, os resultados estão demorando a sair ou não saem do jeito que se espera de um gigante do Chuteira. Por que o time não deu ‘liga’ ainda nesta temporada?
Tem razão. Temos um grande time com ótimos jogadores. Porém, na teoria, já a prática é outra.  Alguns jogos desta temporada temos a consciência de que pecamos em momentos pontuais. Jogo que estávamos ganhando e perdemos a concentração na marcação, resultando em derrota. Gols importantes que nos dariam as vitórias não estão acontecendo. A afirmação de que o time não deu ‘liga’ acho que não é a mais apropriada. O time foi campeão no início deste ano em outra competição do F7 com este mesmo elenco, além de já ter feito ótimos jogos pelo Chuteira. Entendo que o Arouca tem de se tornar mais estável e deixar que escape pontos preciosos para nossa classificação, que não foi nada fácil nesta edição. Tivemos de ganhar do SPQSF nessa última rodada quando perdíamos de 3 x 0. Era virar ou fim da linha. Mas uma coisa muito importante neste grupo é da ciência destes erros, deste desequilíbrio e a busca em melhorarmos.
 
Já recebeu convite para trocar de time? Caso sim, de quem? Iria para outra equipe se convidado fosse?
Tenho alguns anos de Chuteira (não me recordo exatamente) e acredito que tenha conquistado o respeito e a amizade de muitos, mas nunca recebi nenhum convite formal para atuar em outra equipe. Mas, com a sinceridade que me cabe, não me vejo atuando por qualquer outro time senão pelo Arouca. São muitos anos de equipe, lá montamos uma verdadeira família da bola. A manutenção de muitos jogadores do início e a chegada de outros atletas por meio de amizades fortalecem este laço e, por isso, não consigo me enxergar em outro lugar. Por outro lado, vai ver estou abaixo da média dos grandes goleiros como Ferrugem e Papa-Frango e por isso não tenha recebido convites. Estes dois são os maiores camiseiros do Chuteira (risos).
 

Na campanha do título (XIII Chuteira de Ouro), relembre alguns momentos daquela conquista. Quem eram os personagens principais? Como foram os obstáculos até a decisão? A final contra o Rabeloska era a ideal para vocês?
Não tenho esta memória toda para descrever a nossa campanha, mas me lembro que a final com o Rabeloska trouxe um ingrediente a mais: as amizades em comum. Eu mesmo, por intermédio do Vitão, já joguei rachão com os caras e até amistosos no gol para eles, o que culminou nesta minha aproximação que perdura até hoje. Mas acredito que o Vitão e o Galizé (jogador e técnico do Arouca) foram os que mais viveram esta fase que antecedia a final por terem jogado todos juntos pelo Mackenzie. Ao meu ver (talvez não seja a visão do time da época), jogar contra amigos é sempre complicado, vide os jogos Arouca x Arouca Jrs., em que saem faíscas (ainda tem gente que acha que é marmelada). Assim, com o Rabeloska não era diferente, pois tratavam-se de amigos, alguns até com passagens pelo Arouca. O Barata é um dos que joga até hoje conosco e disputou a final pelo Rabeloska. Somado a isso, foi o time que passou por todas as divisões do Chuteira com uma subida meteórica e isso não poderia ser ignorado por quem vai disputar uma final contra eles. Mas aquela edição não teve jeito. Estávamos todos do Arouca muito focados e com uma vontade de ser campeões maior que qualquer um. O resultado todo mundo sabe: levantamos o caneco.
 
Qual a partida que não sai de sua memória?
Teve um jogo eliminatório, não me recordo a edição, tampouco a fase (fica frio que a gente lembra: X Chuteira de Ouro, quartas de final, dezembro de 2010), mas era contra o Bengalas, que conseguimos sair classificados e minha atuação foi memorável, com muitas defesas difíceis, assim como a final de 2014 contra o CAV, que perdemos nos pênaltis, mas que tive uma ótima atuação. Mas não dá para ignorar a final de 2012. Aquele jogo foi realmente inesquecível por todos os ingredientes necessários para que resultasse em nossas memórias um desfecho apoteótico: campeões da Série Ouro do Chuteira.
 
Recentemente um gigante do Chuteira (SNG) foi rebaixado e decidiu fechar as portas. O Arouca teria o mesmo destino? Ser rebaixado é motivo para sair de cena?
Se eu disser que pensamos nesta hipótese, estaria mentindo e, por isso, não sei a opinião do grupo, principalmente do Vitão e Ricardo, que gerenciam junto com outros jogadores o Arouca. Mas posso falar por mim. Caso acontecesse de o Arouca ser rebaixado de divisão, eu votaria em continuarmos disputando a Prata e subir nas edições seguintes. Não acho que o rebaixamento seja motivo de sair de cena, mas como futebol trata-se de um esporte coletivo, todos precisam estar alinhados com a decisão. Tendo em vista nossa atual campanha e a modesta posição na tabela, estou achando que a pergunta é fruto de uma impressa ‘marrom’, golpista e tendenciosa com o condão de atuar como massa de manobra para atingir o elenco. Mas adianto que estamos focados e deixo um recado para essa imprensa: “golpistas não passarão!” (risos).
 

Já marcou algum gol no Chuteira?
Nunca marquei gol no Chuteira ou por qualquer outro campeonato que eu tenha disputado com o Arouca. Acho que é cada um no seu quadrado. Temos ótimos jogadores, matadores, artilheiros para isso, não há necessidade de eu tentar algo do gênero. Em uma oportunidade, quando jogávamos pela Futliga, joguei por alguns (poucos) minutos na linha pelo Arouca pelo fato de estarmos com poucos jogadores e dois goleiros. Guardo com carinho esta lembrança, mas não marquei gol. Algumas pessoas dirão que foi horrorosa minha participação, mas não passam de uma minoria frustrada que não aceita meu sucesso naquela posição (muitos risos).
 
Você viu muitos times e jogadores se aposentarem. Já está pensando nisso ou o M1 tem chão pra percorrer aqui no Chuteira?
Sou um cara altamente competitivo e acredito que, enquanto mantiver este espírito e a carcaça aguentar, poderei contribuir com o time. A minha ideia é, no mínimo, não atrapalhar o Arouca. Mas sempre passa pela cabeça a “aposentadoria”, o que causa frio na espinha em quem tem uma paixão enorme pelo futebol, pela meta e pelo Arouca. Confesso que ainda não estou preparado para tal. Vestir a camisa número 1 do Arouca, encontrar com os amigos, ouvir das arquibancadas o famoso “mão de pau” do Sr. Lói Caneludo (Lói, zagueiro do Acidus), ouvir o jargão mais falado e ecoado do Playball “Chupa Lucas”, ser abordado pelas indagações cômicas e inteligentes do Douglas (Almasi, repórter) e a adrenalina em defender um chute ao gol, são fatos que dizem para este jovem senhor goleiro: o sábado chegou!

Comentários

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  1. Reynaldo É Verdadeee 30-05-2017 04:58:04

    Não conheço o Maurício, nunca conversei com ele, mas depois de quase 10 anos (no meu caso), já cruzei com eles algumas vezes nos ´corredores´ do playball e ele é reconhecidamente figurinha carimbada dos sábados de chuteira. Legal que, aos 43, ele joga e vai continuar jogando, talvez motive outros veteranos (como eu) a esticar um pouco mais, se a saúde ajudar, é claro. Parabéns pela matéria e pelo personagem! Abraço!